terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Por que deveria estudar Teologia?

            Estamos chegando a mais um início de ano letivo nas escolas. Algumas iniciarão seus trabalhos a partir da próxima semana. É nesse tempo que estudantes em todo o país começam a “aquecer suas turbinas” para estarem preparados para mais um período de vasto aprendizado. Nesse tempo também, alguns que estavam parados ou que concluíram outros cursos questionam a si sobre qual será o próximo passo. Escrevi este texto para aqueles que estão pensando em estudar teologia e de certa forma os levar a mais uma boa razão pela qual não deveriam titubear em seguir em frente.
            No ano de 2007, ingressei no Seminário Teológico do Oeste. Ele fica situado em um bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro chamado Campo Grande. Para quem conhece a região, ele fica próximo à estação ferroviária e funciona nas dependências da bela e histórica Igreja Congregacional Campograndense. Neste lugar obtive uma verdadeira “experiência com Deus”, não de uma forma meramente mística como alguns alegam ser esse momento, mas o que chamo de experiência aqui se trata do resultado de uma profunda busca e intimidade com a Sua Palavra. Nos primeiros anos me senti impactado pela novidade do conhecimento. Entretanto, o que mais me marcou foi o confronto (com o meu modo de vida) dos últimos anos.
            Para os que afirmam que estudar teologia em um seminário teológico é semelhante ao que fazemos na escola aos domingos – apenas com um tratamento mais intensivo – digo que sua visão está equivocada. Não questiono a seriedade das igrejas no tratamento de suas EBDs, enfatizo apenas que a programação de uma escola teológica propõe uma capacitação avançada do obreiro, o que engloba conhecimento pelo menos instrumental das línguas originais para o auxílio na correta interpretação do texto sagrado, bem como conhecimento e manuseio de ferramentas para produção de pesquisas diversas nas áreas relacionadas ao saber teológico. Poucas igrejas providenciam meios de aferir o conhecimento adquirido nas escolas aos domingos, algo que na escola teológica (pelo menos na que estudei) é pensado, discutido e conduzido à prática.
            Em um curso teológico somos expostos a uma variedade de disciplinas que talvez possam ser agrupadas em áreas do conhecimento: Linguísticas (Grego, Hebraico, Português, Teologia Bíblica, Panorama Bíblico...), Humanas (Sociologia, Filosofia, Didática, Educação Religiosa, História da Igreja...) e Práticas (Teologia Sistemática, Teologia Contemporânea...). É comum que alguém se identifique mais com uma determinada área, isso aconteceu comigo. Minha propensão ao aproveitamento maior nas disciplinas que lidam com os aspectos linguísticos e se voltam mais para o manuseio da Bíblia, me levaram a encontrar meu “prazer teológico” em uma das disciplinas voltadas à interpretação das Escrituras, a Teologia Bíblica.
Nesta disciplina aprendi a olhar a Bíblia como um único livro e entender que existe um propósito fundamental diante de tudo o que foi escrito. Aprendi a olhar a Bíblia como Revelação de Deus, dada de maneira histórica, progressiva, orgânica e adaptável - como ensina Geerhardus Vos (2010). Isso significou para minha forma de interpretar o texto sagrado que não posso desconsiderar o todo da Revelação para compreensão de um texto bíblico sequer.
Costumo dizer para os meus alunos que nunca mais poderão ler a Bíblia da mesma forma após a conclusão de seu curso teológico. Especialmente, porque a visão do estudante de teologia é ampliada e sua percepção esclarecida sobre algo que considero basilar para nossa compreensão da natureza deste livro: Ele não foi elaborado por homens para atender suas expectativas, ao contrário, a Bíblia é um livro extraordinário de autoria divino-humana que, ao mesmo tempo, revela Deus aos homens e Sua vontade à humanidade. Por meio do próprio livro entendemos a necessidade desta revelação como elemento esclarecedor dos propósitos divinos. A humanidade se tornou incapaz de compreender os planos de Deus para ela por causa dos efeitos do pecado, mas o próprio Deus proveu meios para que fosse compreendido, na continuidade do estabelecimento de Seus planos.
A observação de um texto de maneira isolada pode levar um estudioso a várias direções. Por exemplo, quem já não ouviu uma pregação sobre a “Importância de conhecermos a Deus e prosseguirmos em conhecer a Ele”, baseado no livro do profeta Oséias 6:3. Dificilmente, alguém que não conheça de rudimentos necessários para a interpretação perceberá que este trecho faz alusão a uma pretensa declaração que o profeta menciona que será o clamor dos filhos de Israel quando enxergarem a si mesmos aflitos. Por isso, o verso quatro continua o argumento do autor “estranhamente” declarando: “Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã, e como o orvalho que cedo passa”. Desta forma, isso se trataria de uma busca superficial apenas com o propósito de ter alívio de suas dores e não um comprometimento real. Outros textos falam de nossa necessidade de buscar e conhecer o Senhor, mas este texto destaca uma aplicação diferente.
Certamente, a desatenção ao contexto pode produzir resultados catastróficos na consideração da forma que isso se aplica aos leitores contemporâneos quando comparado com o propósito autoral. O intérprete não possui liberdade para interpretar o texto como bem lhe aprouver. A própria Escritura clama não ser de particular interpretação (2 Pd 1:20). O intérprete deve se esforçar ao máximo para o entendimento de questões que permitem aproximação do entendimento do texto: da circunstância que levou ao texto; como os leitores foram acrescidos por esse ensino diante de suas perspectivas teológicas; como este texto se enquadra na perspectiva progressiva da revelação, ou seja, como nosso (me refiro aos leitores em geral) conhecimento a respeito do todo da revelação de Deus é acrescida com as informações registradas nesse trecho estudado.

São muitos os benefícios de estudar teologia, porém para mim o maior deles foi sem dúvida a compreensão que APENAS por meio deste livro tão especial podemos conhecer a Deus e sua vontade. Muitos são conduzidos pela vontade dos líderes em suas denominações em questões duvidosas e que dificilmente encontram amparo bíblico, outras vezes, guiados por dogmas ou doutrinas que se fundamentaram no desenvolvimento de movimentos com raízes humanísticas, ou ainda, por revelações extrabíblicas. O resultado disso os leva a criação de “teologias diversas”. Entretanto, APENAS uma séria e intensa busca pela consubstanciação bíblica será, pela ação do Espírito Santo, libertadora de corações sedentos da verdadeira Revelação de Deus – para que uma vez que tenham conhecido possam enfim viver a Palavra de Deus por meio de Cristo.
Para mim, estudar teologia foi algo libertador, pois fui confrontado pelo princípio da Reforma - Sola Scriptura (Escritura Somente) e com isso tenho aprendido também com meus alunos que o resultado prático dessa dádiva é um profundo amor pela Escritura Sagrada - que nos leva a nunca nos sentirmos satisfeitos com o que sabemos sobre Ela e desejarmos conhecer mais e mais sendo ainda mais transformados por Ela. Contudo, percebo também o crescimento de uma insatisfação com tudo aquilo o que não diz respeito à Verdade de Deus. Noto que esses "sintomas" também estão presentes em meus queridos alunos. 
A Palavra transformadora de Deus, cuja mensagem é Cristo, evidencia a todos aqueles que a estudam que suas vidas dependem do Senhor para compreensão até mesmo dos temas mais básicos da vida. Com ela entendemos como as coisas foram criadas e para quê foram criadas, e assim nossas mentes vislumbram que Aquele que criou e sustenta todas as coisas, o faz por e para Sua glória. 
Talvez isso seja suficiente para responder a pergunta inicial do texto e fazê-lo prosseguir... que o Senhor te ajude nesta ótima decisão!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Esperança para 2016

Se você prestar atenção na forma que falamos ou agimos, nós estamos sempre esperando alguma coisa...

“Espero que nossa empresa vá bem este ano” / “Espero que ele não esteja chateado comigo” / “Eu espero que Deus ouça minha oração” / “Espero que não chova amanhã” / “Espero que esta doença não seja algo sério”

Como seres humanos, nós possuímos esperança – isso faz parte de nossa estrutura. Nós anexamos nossa segurança, bem como nosso senso de paz e depositamos em algo todos os dias. A questão não é o que esperamos, mas onde depositamos nossa esperança.

Gostaria de fornecer a você cinco princípios sobre esperança, agora que iniciamos 2016. Eu “espero” que esse devocional venha te ajudar a repensar sua maneira de enxergar a vida neste novo ano.

1. Você tem esperança em alguma coisa. Você poderia argumentar que a vida humana é dirigida por Esperança. Por exemplo, de um pequeno momento em que uma criança espera profundamente por um novo brincado à esperança adulta em busca de significado e sentido, ou seja, todos temos esperança. Realmente, todos nós colocamos esperanças em algo ou alguém, e normalmente buscamos receber coisas dessas pessoas ou coisas...

2. Esperança é um Estilo de Vida. Sua esperança aponta sua maneira de viver. Sua esperança leva você a tomar decisões. A falta de esperança te conduz à paralisação e desmotivação. Esperança confiante torna você uma pessoa corajosa e decisiva. Esperança vacilante torna você uma pessoa tímida e indecisa. Esperança não é apenas algo que você faz com seu cérebro. Você sempre vive sua esperança de alguma forma.

3. A maioria de nossas esperanças nos desapontam. Nós sempre passamos por isso: Colocamos nossa esperança em coisas neste mundo caído que simplesmente não se realizam. Seu marido (Esposa) não conseguem te fazer feliz. Seu trabalho não te satisfaz. Suas possessões não são suficientes para seu coração. Sua saúde física não lhe permite chegar à paz. Seus amigos não lhe proporcionam sentido ou propósito. Assim, quando suas esperanças te desapontam, isso é um sinal que temos colocado nossas esperanças nas coisas erradas.

4. Existe apenas 2 lugares em que se podem ser depositadas as esperanças. A teologia da esperança é muito simples - existem apenas dois lugares para isso. Ou você deposita a esperança de sua vida nas mãos do Criador ou você busca esperança na criação. Normalmente, temos trocado a verdade a respeito de Deus pela mentira adorando e servindo a criação ao invés do Criador desde a queda.

5. Esperança em Deus é certa. Quando você espera em Deus, você não somente espera Naquele que criou e controla todas as coisas, mas Naquele que é glorioso em graça e abundante em amor. Ninguém pode satisfazer alguém como Jesus satisfaz. Ninguém pode trazer descanso como o Pai. Apenas o Rei Soberano providencia uma plena estabilidade para a Esperança.


Desta forma, assim como você começa 2016, lembre-se que você está sempre depositando suas esperanças em algo. Certifique-se de que as falsas esperanças não te maltratem, e corra para Jesus. Apenas ele provê esperança tanto agora como para sempre! Que Deus te abençoe!

By Paul David Tripp - Acesse o arquivo original aqui.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Um Tempo Para Todas as Coisas

"Tudo tem sua estação própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Ec 3:1)

Mesmo dos lábios de um ateu, um agnóstico, ou uma pessoa que não pensa muito em religião, é comum ouvir a frase “tudo acontece por uma razão”. A ideia de destino que permeia nossa cultura advém de predições astrológicas que dizem que nossos destinos são governados pelas estrelas, como nos filmes românticos – cuja mensagem é que os dois protagonistas estão destinados a estarem juntos. Em todos estes casos e alguns outros, porém, isto é como uma força impessoal de algo que está supostamente governando coisas. Raramente, ou nunca, isso é uma menção de um ser pessoal que está direcionando ou dando propósito a todas as coisas.

No entanto, como muitos filósofos cristãos e apologistas apontaram, realidade impessoal não pode produzir sentido ou propósito algum. Por definição, propósito é a propriedade de um desejo pessoal. Apenas seres pessoais e pensantes podem agir com propósito; uma mera força apenas é uma mera força. Por exemplo, gravidade em si mesma não age com intencionalidade; ela simplesmente está lá, uma realidade dada que não faz planos ou direciona coisas para um lugar ou um fim. Coisas não possuem propósito último apenas porque queremos que possuam – se não existe um Deus criador direcionando tudo, a ideia de que tudo ocorre por uma razão é apenas um pensamento desejoso.

Assim, quando nos aproximamos de uma passagem como a de Eclesiastes 3, devemos ter em mente que o Pregador está trabalhando diante de um pano de fundo que assume a existência do Deus mantenedor da Aliança com Israel, que possui propósitos infalíveis (Is 46:8-11). A frase sobre a existência de um tempo para todas as coisas debaixo dos céus (Ec 3:1) pode derivar em parte da observação do mundo e da visão de que existem estações apropriadas para coisas como o nascer, morrer, plantar, chorar, rir, e outras coisas mais, mas o Pregador pode distinguir entre tempos apropriados e inapropriados para estas coisas apenas porque ele sabe que Deus fez estes períodos e isso deve ser visto com temor (Ec 12:13-14)

Os tempos e as estações mencionados em Ec 3:1-8 enquadram tudo da vida, incluindo seu início (“tempo de nascer”) e fim (“tempo de morrer”), o ciclo agrícola (“tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou”), e muito mais. A vida é repetitiva em muitos aspectos, mas isso não é um ciclo sem fim. Há um avanço em direção aos objetivos de Deus, e parte disso engloba tempos e estações que são postos em ordem pela pessoa do Criador. Isto não quer dizer que “tudo acontece por uma razão”, mas ao contrário, “tudo acontece pela vontade de Deus”.

Coram Deo
Há um tempo para toda estação e propósito debaixo dos céus, porque o Senhor determina isso. Nossas vidas e nosso mundo não pode ser controlado por alguma força impessoal do destino, mas pela vontade graciosa de Deus – que possui planos que se estendem até mesmo ao que possamos considerar a coisa mais insignificante do mundo. Ele trabalha em todas as coisas de acordo com os propósitos de Sua vontade (Ef 1:11), e podemos descansar sabendo que nada o pega de surpresa ou o desvia de seu curso.

By - R.C. Sproul - Para acessar o arquivo original clique aqui.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O conhecimento que glorifica a Deus



Gn 3:7-8 “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim”.

É interessante conversar com pessoas que têm sempre algo a nos ensinar. Gostamos daquelas que possuem conhecimentos para que possamos nos relacionar com elas, aprender mais um pouco, trocarmos o que temos com o que não temos. Poucas pessoas perdem tempo com quem não tem nada a lhes acrescentar. Ainda proferem o velho ditado,"Diga-me com quem andas e te direi quem és". Muitos já tiveram o desprazer de se sentir excluído de uma roda onde a conversa foi levada para um rumo o qual o assunto era desconhecido. É decepcionante!
Entretanto,  aprendi com o tempo que todo conhecimento que buscamos que não visa produzir glórias a Deus tem implícito objetivo de satisfazer o nosso ego. As Sagradas Escrituras afirmam que “Toda boa coisa dada e cada dom perfeito vem de cima, descendo do Pai das Luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1:17). Naturalmente, a busca por conhecimento visa a obtenção da verdade a respeito de algo, que segundo o filósofo cristão Agostinho de Hipona, só pode ser encontrada originalmente em Deus.
O texto de Gênesis citado é bem conhecido e demonstra a primeira e frustrada tentativa do homem adquirir para si um conhecimento independente de Deus. Vale observar o resultado dessa catástrofe:
1 – foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueiras, e fizeram para si aventais: A simplicidade e confiança no Deus Criador deram lugar a um conhecimento que revelava a impureza e malícia, agora situada na mente do homem. Suas atitudes de proverem para si elementos que atendessem a demanda de suas impurezas revelava a necessidade daquilo o que não poderia ser mais resgatado, seu relacionamento com Seu Criador.
2 – E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia, e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim: Ao buscar o homem, em algo que parecia ser rotineiro, mas ao mesmo tempo em uma atitude que revela a graça do Senhor – por já saber em que situação se encontrava o homem – Adão e sua mulher se escondem, dando provas de mais um novo conhecimento recebido: que haviam desobedecido a Deus.
            No verso 9 Deus realiza sua chamada graciosa. A declaração, em forma de pergunta, “Onde estás?”, fez com que Adão e sua mulher saíssem ao encontro de Deus, para mais um novo conhecimento: o da natureza de suas ações a partir de então. Depois da tentativa de transferência da culpa que era pessoal, ambos puderam saber que a verdade de Deus não deveria ser questionada. A expulsão da presença do Senhor significou para o homem que sua produção independente não era suficiente para produzir a verdade e a satisfação em si mesmo.
            O Deus de amor, no entanto, não abandonou a sua criação, e mesmo na sentença consequente prenunciou que lhes proveria a restauração à Sua presença de maneira definitiva. Desta forma, apresentou o que sabemos que foi realizado por meio de Jesus Cristo. Esta era demonstração de onde o homem deveria investir sua busca de conhecimento, algo citado pelo apóstolo Pedro em suas instruções à Igreja: “Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Temos, Nele, a única forma de sermos conduzidos à verdade. Não há nada que possa importar mais para nós do que vivermos segundo os propósitos de nossa criação, os objetivos de Deus para nossas vidas.
            Deus nos criou para que por meio Dele pudéssemos viver e conhecer todas as coisas, mas não deseja que façamos isso de maneira independente, porque dependemos dele para o sucesso de nossas ações. Quando pensamos que por nossos próprios esforços chegaremos ao destaque, estamos profundamente enganados. Nossa conduta independente só busca glória para nós e isso é uma contravenção a nossa origem, pois fomos criados para glória de Deus.
            Pensemos e reflitamos por que e para que desejamos conhecimentos? Para glorificar a Deus com o que conhecemos, ensinando a outros o precioso conhecimento de Cristo – e como ele nos resgata as faculdades do saber? ou para que as pessoas nos vejam como entendidos e no fundo nosso ego seja massageado?
           

            Que o Senhor nos ajude!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

E o seu cuidado com a Família, como está?


 "Mas se alguém não cuida dos seus, especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo" (I Tm 5:8).

Não há proveito nenhum em nutrir "descasos" familiares. Acho um absurdo isso! O amor a um ente querido não é dedicado por aquilo o que ele pode oferecer, muito menos o serviço é prestado por aquilo o que se pode esperar. Amamos, porque somos parte um do outro, porque há cumplicidade, porque há o cuidado e a preocupação de que estamos fazendo como que a nós mesmos.

No entanto, vivemos em uma época de tanto egoísmo que, mesmo onde deveria ser percebida esta propensão, o que se vê é uma terrível disputa pelos "meus direitos!". Isso é resultado da mais pura necessidade que o homem (serhumano) tem de entronizar a si mesmo. Na verdade, quando gostamos de saber que aquela pessoa precisa de nós e por isso dimensionamos nosso grau de importância, estamos apenas medindo nosso valor a nós mesmos e não à verdade exigida na Palavra - o cuidado com os nossos.

O apóstolo Paulo orientou a Timóteo que honrasse aquelas que não tivessem ninguém para assisti-las (no caso, as viúvas que não possuíam filhos ou netos), mas caso estas tivessem quem as assistisse deveriam ser cuidadas pelos seus descendentes - enfatizando que isso é algo agradável ao Senhor (ITm 5:3-5).

Cuidar de nossa casa é algo que, segundo o escritor inspirado, proporciona satisfação ao nosso Deus, mas o descuidar, maltratar, ou até mesmo destratar, nos leva a triste situação de sermos classificados como "pior que infiéis". Aquele que acredita ter estudado o suficiente ou alega ser tão espiritual para desvalorizar aquilo o que nos ensina a Palavra, deveria repensar seus estudos e sua espiritualidade, especialmente, porque não há nada que supere a excelência das Sagradas Escrituras.


Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A justiça passa longe onde há apreço pela mentira (Is 59:14)



"Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a eqüidade não pode entrar"

O sucesso de uma nação, segundo os preceitos bíblicos, é evidenciado no reflexo de uma conduta baseada nos princípios da verdade. Associando ao detentor desse padrão, Agostinho, ratifica que toda a verdade procede de Deus. Assim, por diversas vezes, a Bíblia apresenta os insucessos da nação escolhida pelo Senhor, quando não atentavam para as determinações pactuais que deveriam nortear seu modo de vida. Por conta dessa infidelidade, principalmente por parte da liderança, todo o povo padecia em suas depravações, o que também resultava em desigualdade social.

No texto base proposto, o profeta Isaías traduz aos seus conterrâneos o motivo pelo qual a nação se encontrava em profundo declínio. Revelando um contexto de depravação espiritual e consequente afastamento de Deus, por parte de Israel. A iniquidade do povo era capaz de afastar qualquer possibilidade de justiça. E em um meio onde a maldade era o “prato do dia”, os que tentavam se afastar dela eram afligidos por isso. A falta de homens que retornassem a verdade retratava a condição eticamente deplorável da nação.

O povo de Israel serve como referência para nós, diante do que caracteriza a extensão do povo escolhido, por meio do sacrifício vicário de Jesus Cristo na cruz. Não é de se estranhar que essa percepção perpasse as Sagradas Escrituras e ressaltem aos nossos olhos nos dias atuais. A falta de solidificação na verdade expõe de maneira semelhante o peso de uma nação cuja liderança se mantém distante dos preceitos divinos. Isso evidencia a impossibilidade da justiça e traduz a inconsistência dos argumentos que apresentam perspectivas ilusórias de aclive moral. Não é preciso entender de política para enxergar a imoralidade presente em todos os setores governamentais nacionais. A responsabilidade de gerir uma nação impõe a necessidade do reconhecimento da dependência do Rei Cósmico.

Israel deveria exibir às nações o parâmetro para uma conduta moral, político e religiosa diante do Deus Yahweh. Em contrapartida, se enveredaram por caminhos pecaminosos, distantes da verdade. Da mesma forma, atualmente, vemos que aqueles que deveriam apresentar o exemplo de uma vida pautada na verdade, de uma vida irrepreensível aos olhos de Deus e da sociedade, tem deixado a desejar. Apresentam-se indícios de uma profunda deturpação da verdade, em um quadro onde os que com a responsabilidade de serem “propagadores da verdade” estão se afastando cada vez mais dela. O resultado não poderia ser outro, a quantidade dos chamados cristãos sem base bíblica é considerável. Ventos de doutrina que se levantam, agravam a condição da igreja, que apresenta um acréscimo numérico, mas um decréscimo em sua confiabilidade ante a sociedade.

Tais quais os textos de Jeremias e Malaquias, não é difícil perceber o contraste bíblico com "a verdade" pregada atualmente (principalmente na mídia), dos lugares de onde ela deveria vir de maneira límpida. O que sai, no entanto, é algo que se aproxima daquilo o que tem sido basilar na sociedade. “Você é mais que vencedor, não aceite a derrota, pois agora é só vitória! Você tem que ser abençoado... para isto, basta ser fiel a Deus e dar a Ele tudo! Você não nasceu para estar doente, precisa então determinar a sua cura!” Frases como essas são diariamente proferidas, na apresentação de um “cristianismo capitalista”, que se ocupa em fornecer às pessoas o que elas precisam fazer para conquistar suas bênçãos com suas próprias forças. Todavia, ao serem confrontados com questões que demandam uma atitude cristã como o perdão, o exercício do amor, a prática da misericórdia, são rigorosos e exigem justiça. Se o “pisão” é em seu calo, sai de baixo!

Em um contexto como este, onde não há constância na informação da pureza da Palavra de Deus, fica difícil encontrar um padrão a ser seguido. Se não há verdade, a mentira torna-se comum e se ela é comum, os poucos seguidores da verdade se tornam anomalias. É assim que alguns profetas foram classificados, na tentativa de remar contra a maré que alinhava o povo a uma vida envolta ao pecado, sendo esbofeteados, açoitados, presos, mortos. A história exibe homens que doaram suas vidas por causa da verdade, mas parece que isso não está mais em voga. A verdade não é mais buscada, porque não há interesse no afastamento da mentira.

Nesse quadro, pregar a mensagem das Sagradas Escrituras de maneira genuína, que condena o homem pecador e convoca-o ao arrependimento, é provocar redução de audiência. A mensagem precisa ser suave, incentivadora, sem confrontos, confortável, de maneira que soe bem aos ouvintes. Os “crentes” de hoje indicam, semelhante ao período dos textos referidos, sua aprovação na parceria com a mentira. Certamente, os profetas citados, se vivessem nos dias atuais, não seriam tratados de maneira diferente do que foram em sua época. Porém, é certo que tornaram-se referências pela postura irrepreensível que adotaram. Este é o desafio que se levanta na atualidade.

Essa leitura provoca em nós uma reação e uma pergunta: Seria este conflito de identificação com a verdade, por parte da igreja, o motivo do declínio moral de nossa nação? É fato que há escassez de referência moral no país, por isso a política é vergonhosa. Também é notória a ausência de um padrão religioso, por esta causa o ecumenismo ganha força. Somente um confronto pessoal com a solidez da Palavra poderia transformar vidas a buscarem a justiça do Senhor. Esta é a prioridade dos que professam Cristo e o condicionamento dos que almejam a sua vontade. Quando existe interesse na manutenção de um firme posicionamento na verdade são fornecidos os parâmetros regulares às autoridades que nos cercam. Os luzeiros se acendem e a expectativa é outra.

O mais interessante é encontrar líderes cristãos buscando soluções diferentes das que são descritas na Palavra de Deus. Vivemos um momento interessante em nosso país nos últimos meses, onde alguns líderes pareciam estar engajados em outra causa, que não a do Evangelho - buscando servir como incentivadores das massas em redes sociais, estabelecendo esperanças em um poço sem fundo. Esta constatação só pode ser sentida quando mesmo após o período eleitoral ter passado, as mentes ainda se voltam para o que deveria ter acontecido segundo suas expectativas. E corremos para o alerta de fraudes, revoltas, agrupamentos contra o governo, como se isso fosse estranho a um país que se envereda pelo distanciamento de Deus. Não há outra solução para nossa nação a não ser o desapego da mentira e a aproximação da verdade.

A esperança de nossa nação não é um canditato à presidência, mas sim o estabelecimento do Deus Yahweh, como seu único Deus. A revelação base para isso está no texto de salmos que diz que “Feliz é a nação cujo Deus é o SENHOR!”. Sabemos, no entanto, que o Senhor é quem nos atrai para si, por meio de Seu Espírito - nos mostrando nossa real necessidade. E Deus utiliza a Sua Palavra para que aqueles que estão em trevas sejam impactados pela Luz de Cristo. Todas as vezes que ocorreu um avivamento em uma nação, que provocou mudança nos regimentos dela, houve um retorno à verdade, um retorno às Sagradas Escrituras. Seria possível um avivamento em massa no Brasil? Para isso, a Bíblia precisa ser pregada, Sua verdade precisa emanar e não ser escondida pelo clamor popular. Somente assim, a justiça poderá adentrar os umbrais de nossa nação. A vontade de Deus é que aqueles que foram retirados da mentira se apresentem como o apóstolo Paulo: "Quanto a mim, estou pronto para anunciar o Evangelho..." Rm 1:15.

Que o Senhor nos abençoe!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

O que significa ser um "servo inútil"?


Quando Jesus disse que somos servos inúteis Ele não quis dizer que nosso serviço não possui valor nenhum. Jesus frequentemente chamou seus discípulos a serem produtivos. No entanto, Ele os conscientizou que não há bonificação ou mérito em seus serviços.

Na Idade Média, uma visão perniciosa se espalhou, que garantia que cristãos não somente poderiam obter certo tipo de mérito pelas obras que eles realizavam, mas também poderiam realizar obras de supererrogação – obras tão valorosas e meritórias – que eles poderiam se elevar ou atingir níveis acima do que Deus requeria para Seu povo. A Igreja ensinou que o excesso de mérito dessas obras de supererrogação eram depositadas no que ficou conhecido como “o tesouro de mérito”, e de lá, isso poderia ser distribuído a pessoas no purgatório que estavam em débito de méritos. Esta ideia estava por trás de toda controvérsia sobre as indulgências no décimo sexto século, e este foi o maior ponto de debate entre Protestantes e Católicos Romanos. Isso tudo resumia o conceito de que seria possível aos crentes realizar obras acima ou além do que era esperado.

As palavras de Jesus aqui em Lc 17 certamente colocam esta ideia em seu devido lugar. O que eu poderia possivelmente fazer que não fosse o que Deus exigisse de mim em primeiro lugar? Lembre-se, Ele nos manda ser perfeitos, e não podemos progredir em perfeição. Não podemos sequer esperar alcançar este patamar. Eu não tenho nenhum benefício em mim mesmo, porque eu não ganho nada fazendo somente o que me é exigido que se faça. Nisto está o porquê nossa redenção é pela graça e graça somente. Existe somente uma coisa que eu posso colocar diante de Deus que, falando apropriadamente, é só meu, o meu pecado. A única coisa que pode me redimir não é minha obra, mas a obra de Cristo realizada em meu favor. Ele livremente veio fazer a vontade do Pai e submeter Sua própria vida à lei para nosso bem. Ele, e somente Ele, é o servo útil.

Se nos servimos de esforços para chegarmos ao reino de Deus, enganamos a nós mesmos. A motivação para o serviço cristão é amor a Deus. Não servimos para receber a salvação, mas porque Cristo já conquistou a salvação por nós. Esta verdade está por trás do verso do grande hino de Augustus Toplady, “Rock of Ages” que diz, “Nada trago em minha mão, simplesmente à sua cruz me apego”. Toplady entendeu que após termos realizado nossos melhores feitos, permanecemos servos inúteis. Não importa o quão exemplar seja o nosso serviço, não temos nada que poderia ser oferecido a Deus para merecer Seu favor.
O pastor John Piper tem acordado pessoas para um conceito de vital importância para nossa fé cristã – a alegria de ser encontrado em posição de obediência a Deus. John enfatiza qe o motivo de nossa obediência não deveria ser simplesmente em um sentido abstrato de dever. É claro que, algumas vezes, temos que obedecer por dever, e isso é melhor do que a desobediência. Existem momentos quando não há prazer com respeito à obediência, mas podemos apenas esperar até que sintamos prazer em fazer isso. Todavia, John está absolutamente correto: isto deveria ser nosso desejo, obedecer a Deus. Deveríamos nos sentir motivados em servir a Ele cheios de alegria pelo que Ele fez por nós, não com pensamento de que somos obrigados a obedecê-lo, ou como se isso fosse algo que nos fizesse ganhar os céus.


Assim, somos servos inúteis – pelo menos neste mundo. Porém, lembre-se que o mestre na Parábola de Jesus disse a seu servo: “após isso comerás e beberás”. Nesta simples afirmação encontramos uma pista da ideia que Jesus torna explicita em Mt 16:27 – que na volta de Cristo, Ele “dará a cada um segundo suas obras”. Devemos ser cuidadosos com a palavra “segundo”. Isso não quer dizer que nossas obras merecerão recompensa. Mas, que Deus em Sua graça distribuirá recompensas de acordo com nosso serviço – apesar de nossas obras não serem dignas. Essa é uma distribuição graciosa de recompensas; Agostinho explicou isso desta maneira: “Deus coroando seus próprios presentes”. Ou seja, mesmo quando recebemos as recompensas do céu, nós as recebemos como pessoas que, de si mesmas, são apenas servos inúteis.

By R.C. Sproul texto original
Tradução: Jonatas Bento